Sobre SNSD, Jessica e o que estou sentindo como SONE
Aviso: esse post comenta MUITA coisa.
Sim, essa review está muito atrasada por alguns motivos. Primeiro, eu e a Blue estamos na faculdade e temos muuuuuuuitos trabalhos para entregar, o que acaba enchendo demais o nosso tempo. Segundo, Raven. E terceiro... bom, eu meio que queria guardar só pra mim o que estava sentindo sobre os comebacks do meu grupo ultimate e da minha ultimate bias. Só que o que aconteceu nessa última semana me deu a sensação de que precisava escrever sobre Holiday Night e My Decade.
Antes de conversar sobre os comebacks, é preciso que eu conte um pouquinho da minha história com o SNSD - uma história relacionada com a minha própria história no kpop. É uma história um pouco grande, mas como diz a Inês Brasil, bora fazendo.
Meu primeiro contato com o kpop foi em 2009. Na época eu era apaixonado pelo Japão, lia mangás, assistia animes, amava cosplay e ouvia algumas coisas de jpop. Um dia eu estava assistindo uma matéria em que Mari Moon entrevistava Misako Aoki, uma conhecida modelo lolita que se tornou Embaixadora do Kawaii, na época em visita oficial ao Brasil. Enquanto passavam fofas fotos de Misako na tela do computador, uma musiquinha tocava no fundo - e essa música me chamou a atenção: eram vozes de várias meninas cantando felizes a mesma palavra repetidamente. Como não lembro de ter visto nenhum crédito na entrevista, acabei sem saber de onde essa música vinha.
Alguns anos depois eu estava procurando músicas legais japonesas no YouTube quando vi um vídeo de show. Era de uma linda garota loira que usava roupas rosas e um enorme laço na cabeça. Ela cantava um cover de Barbie Girl do Aqua, e era extremamente adorável. Ela sorria a todo instante enquanto cantava e não parava de dançar. No canto da tela, vi em letras delicadas cor-de-rosa o nome Girls' Generation, mas pensei que fosse algum tipo de festival japonês parecido com o Rock in Rio, mas só com artistas femininas.
Quando entrei no Ensino Médio em 2013 uma amiga me apresentou o que ela chamou de kpop, o pop vindo da Coreia do Sul, um país minúsculo que eu ignorava completamente nas aulas de geografia. E quando ela me mostrou o primeiro clipe... ERA ELE. Era a musiquinha fofa que eu tinha escutado anos antes. Sim, meus amigos. Era a icônica Gee do Girls' Generation. E no meio de tantas garotas parecidas estava ela. Foi muita coincidência, mas a garota de Barbie Girl estava no meio. Era Jessica.
Desde então eu me apaixonei pelas soshis e comecei a acompanhá-las. Era apaixonado por seus MVs (principalmente o de I Got a Boy), escutava suas músicas e amava suas personalidades tão diferentes. Elas me fizeram sorrir, chorar e vibrar com elas. Ao mesmo tempo que as acompanhava, comecei também a conhecer outros grupos de kpop - f(x), T-ara, 2ne1, etc. Mesmo que também gostasse de outros girlgroups (boygroups sempre ignorei, com exceção do Shinee), nenhum deles superava o amor que eu sentia pelo SNSD. Era meu grupo ultimate antes mesmo que eu soubesse da existência do termo, e Jessica sempre foi minha ultimate.
Sempre tive um enorme carinho pela Ice Princess e foi destruidor quando descobri, através da minha amiga, que ela tinha saído de forma conturbada do grupo em 2014. Fiquei muito triste e parei de ouvir kpop por vários meses. Algum tempo depois engoli a birra, acabei voltando a ouvir as músicas e comecei a acompanhar tanto as soshis quanto Jessica. O comeback OT8 de 2015, mesmo me parecendo incompleto, me agradou muito. O debut solo da Sica em 2016 também me deixou feliz, pois ela parecia estar muito mais saudável e mais confortável consigo mesma. 2016 também trouxe um hiato para as soshis, que não lançaram nada no ano além da chata Sailing no STATION.
Nesse ano elas comemorariam 10 anos de carreira, uma marca incrível para um girlgroup de kpop. Foram 10 anos de muito sucesso e cheios de conquistas para o grupo da nação e precisavam ser comemorados. A SM então anunciou para agosto um comeback especial de 10 anos do SNSD, composto por um double a-side. Eu fiquei MUITO animado e ansioso. E foi depois de teasers nostálgicos e emotivos (eu normalmente não assisto teasers, mas esperei ansiosamente todos os dias eles serem lançados para assistir) que foram lançados os singles Holiday e All Night. O que eu achei deles?
Honestamente, eu não fazia ideia que a música seria TÃO divertida. Holiday é simples e despretensiosa e funciona exatamente por isso. Isso aqui não tem a intenção de ser o mais novo hino salvador do capope, ele foca em entregar uma música contagiante e cheia de energia e é isso aí. Holiday é uma música de verão que não se perde em nenhum momento, o refrão é divertidíssimo, os raps tão ótimos, a coreografia é icônica, o refrão é estupidamente grudento. Tudo é vibrante, colorido e animado, passando muito longe das baladas chatas que muita gente tinha imaginado. É o bom e velho SNSD.
O MV é ainda melhor que a música, traduzindo exatamente para a tela toda a atmosfera alegre e colorida de Holiday. É interessante procurar todas as referências que foram feitas aos últimos 10 anos, algumas explícitas e outras bem escondidas. Ele é muito bonito e bem feito, a distribuição de cenas para cada soshi ficou muito boa, o trabalho de filmagem está ótimo e cada detalhezinho foi pensado com cuidado.
Agora vamos dar uma olhada no single do comeback que eu mais estava ansioso, All Night. Foram lançadas duas versões: a de documentário cheia de comentários emotivos das soshis sobre os 10 anos do SNSD e a versão de clipe mais aproveitável pra quem não fala coreano, ou seja, nós.
ALL NIGHT
ALL NIGHT
ALL NIIIIIIIIIIIIIIIIIIGHT
QUE COISA MARAVILHOSAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! Se tem um conceito que eu gosto no kpop é o retrô, eu costumo ser conquistado muito facilmente por essas músicas, como I Feel You das Wonder Girls, Aalow Aalow do Laboum, Saturday Night do Crayon Pop e até mesmo a recente Where are You? do CLC. E em All Night o SNSD aposta em um disco extremamente elegante com elementos de house que me dá vontade de sair dançando loucamente por aí enquanto berro frases imediatamente icônicas como "HEY, CHECK CHECK CHECK CHECK IT, LET IT GO". É tudo tão brilhante, poderoso, chamativo... provavelmente a segunda melhor música delas de todos os tempos, atrás apenas da insuperável Genie. O SNSD conseguiu surpreender a todos nós com All Night.
O MV da versão normal adiciona ainda mais brilho para All Night. Tudo nele grita glamour e nostalgia: o filtro rosa avermelhado das cenas de dança, os terninhos cintilantes, o ambiente da boate, as drag queens sorridentes dançando em volta da Seohyun, os penteados e maquiagens elaborados, as expressões carinhosas entre as meninas, os momentos Soori, todo o confete, glitter e paetês metalizados... é tudo muito harmônico, feminino, exuberante e bem pensado. Já a versão documentário só tem apelo entre quem é do fandom e quer ouvir as meninas falando carinhosamente sobre os 10 anos que passaram com os SONES. É feita pra sorrir e emocionar.
O álbum Holiday Night também surpreende ao ser um álbum coreano delas sem fillers. Cada faixa é pessoal e tem seu próprio brilho, com destaque para a animada Girls Are Back, a SENSACIONAL e dramática Fan e a suave Love is Bitter. Todo o álbum é retrô e muito coerente, proporcionando uma ouvida agradável do começo ao fim e sendo um dos maiores destaques do ano.
É uma pena que a SM, sendo tão carrasca como sempre, boicotou as promoções do álbum. Tudo foi inacreditavelmente cagado nessas promoções, desde a quantidade ridiculamente pequena de apresentações nos music shows, todas as performances cortadas em festivais e variety shows, a falta do álbum nas lojas, a péssima divulgação que fez os singles terem baixo desempenho para o nível do grupo da nação e o descaso horrível da empresa com as integrantes. Algo que deveria ter sido comemorado com todo o brilho e alegria acabou se tornando um episódio vergonhoso em toda a história do SNSD, tudo isso graças à ganância da SM Entertainment.
Enfim. Mesmo com todos os problemas causados pela SM, o comeback em si do SNSD foi um exemplo do porquê o grupo se tornou o girlgroup mais icônico do kpop. Versátil, contagiante e cheio de personalidade, o SNSD mostrou mais uma vez do que é capaz. Podem surgir mais e mais girlgroups bem-sucedidos, mas nenhum jamais substituirá as rainhas da Coreia. Ponto.
Saindo agora do SNSD, vamos falar agora sobre ela, Jessica. A minha amada Ice Princess anunciou, para alegria de muitos (eu) e curiosidade de outros, que também estaria comemorando seu aniversário de 10 anos de carreira, o que é afinal seu direito. Já sabíamos que o bloqueio da SM (de novo cagando) não permitiria que Jessica promovesse nos music shows, evitando um encontro entre as Divine 9.
Quando os teasers começaram a sair, o que se seguiu foi um verdadeiro mar de teorias. Teasers que se passavam em uma festa muito parecida com a de All Night; a data de lançamento sendo 08/09; fansigns do SNSD e da Jessica marcados para o mesmo dia, mesmo horário e mesmo lugar (SM de novo)... ao que parecia, Jessica falaria de modo muito direto sobre tudo que passou depois de sua saída forçada do SNSD em 2014.
A ansiedade era grande. Mas será que as teorias realmente se tornaram realidade no MV do single Summer Storm, faixa título do terceiro mini álbum solo My Decade?
Sim e não. Embora ainda seja possível interpretar Summer Storm como uma grande referência ao SNSD, Jessica evitou maiores polêmicas ao contar a história de um namoro já terminado do qual ela sente falta. O MV intercala cenas de Sica e seu oppar sendo felizes juntos nas pequenas coisas do dia a dia e depois ela sozinha encarando o que sobrou. Também vemos as estações do ano passando pela janela, cujo ápice é - claro - o inverno. É um MV muito bonito e a fotografia é impecável assim como toda a videografia da Jessica, com destaque para a cena em que a festa destruída se reconstrói em um flashback.
A música por sua vez me decepcionou. Se o SNSD fugiu das baladas chatas com toda a celebração de Holiday Night e surpreendeu todo mundo, a Jessica fez o pior que poderia ter feito: ela fez exatamente algo que se esperaria dela. A faixa simplesmente não é adequada para comemorar um aniversário de 10 anos de carreira. Ela não é muito dançante pois é muito lenta e é rápida demais para ser uma balada triste. Acaba sendo um meio-termo.
É triste que Summer Storm não tenha sido lá essas coisas pois muita gente vai evitar o mini álbum por isso... e ele é muito melhor que With Love, J e Wonderland! A Jessica encheu o My Decade com faixas que valem muito a pena serem ouvidas e mostram lados diferentes dela como solista. Podemos citar como exemplo Starry Night, delicada e emotiva, também a a faixa preferida da Krystal; e Saturday Night, uma música dançante que combinaria perfeitamente com All Night e seria um dos maiores destaques do ano com o MV certo. É triste que essas músicas tenham sido deixadas de lado por Summer Storm, mas é muito claro que quem tem o controle de sua carreira solo é a própria Sica. Tudo que ela lançou até aqui pode não ser lá do gosto de quem não é parte do fandom, mas é tudo muito ela. Tudo é muito pessoal, ela escreve a enorme maioria de suas músicas e tem uma liberdade criativa que, como uma idol, ela não teria em nenhuma outra empresa que não fosse a Coridel.
Enfim, dois meses se passaram desde o lançamento de Holiday Night e My Decade. Desde esse tempo All Night continua sendo a melhor música do ano até o momento, Holiday ainda me deixa muito feliz quando escuto e aprendi a gostar de Summer Storm e agora a acho bem agradável. O que me motivou a escrever esse mega post, no entanto, foi o que aconteceu essa semana. Dia 9 a SM anunciou que Tiffany, Seohyun e Sooyoung não renovaram seus contratos e estão saindo do SNSD e da SM. Apenas Taeyeon, Hyoyeon, Sunny, Yuri e YoonA continuam no grupo, e a SM insiste que o SNSD continuará suas atividades normalmente como OT5.
É triste principalmente para nós SONES, que vemos nosso grupo favorito se desfazer aos pouquinhos. Mas não posso dizer que era inesperado. Fany ainda sofre hate pelo escândalo da bandeira japonesa do ano passado e nesse meio tempo não recebeu sequer uma música no STATION, vendo suas chances de comeback solo ficarem cada vez mais distantes. Seobaby debutou solo em janeiro desse ano, mas a SM promoveu de maneira muito fraca seu seolo de maneira semelhante ao ocorrido com Free Somebody da Luna no ano passado. Já Soo sempre deixou claro que queria mais coisas além de ser parte do SNSD, dizendo várias vezes nos variety shows que queria construir uma família um dia. Na parte de sua carreira, a SM enrolou até não poder mais o lançamento do SHY e ela não tinha basicamente nenhuma chance de receber um solo. Segundo a SM, Tiffany vai estudar nos EUA e Seohyun e Sooyoung irão focar em atuar.
Quanto ao OT5, não gosto da ideia. O SNSD já tinha perdido muito na Coreia depois da saída da Jessica em 2014, com apenas 5 integrantes ele teria ainda menos impacto. Seria muito mais inteligente deixar o grupo dar disband e focar em carreiras solo para as integrantes restantes, permitindo que o SNSD fique na memória dos fãs como uma lembrança querida e um ato bem sucedido do começo ao fim, coisa feita pelas Wonder Girls ao disbandarem depois do enorme sucesso de Why So Lonely. Continuar com o grupo tão desfalcado apenas pela relutância de manter a marca SNSD apenas o machucaria mais na memória das pessoas e o arrastaria sem muitas perspectivas de futuro, como aconteceu com o querido KARA no ano passado. Sei que, caso saia algo do OT5, ainda acompanharei como SONE. Mas seria muito melhor me lembrar do grupo em seus dias de glória, anos radiantes que exalavam união, aventura e beleza. Anos que sempre serão comemorados em cintilantes noites de festa.














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